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INTRODUÇÃO

 3º Encontro Açoriano da Lusofonia

PATRONOS PROFESSOR JOÃO MALACA CASTELEIRO DA ACADEMIA DE CIÊNCIAS DE LISBOA e PROFESSOR EVANILDO CAVALCANTE BECHARA DA ACADEMIA BRASILEIRA DE LETRAS    São Miguel, Açores 8-11 Maio 2008

Em 2005, ao chegarmos a S. Miguel nesta nova etapa duma diáspora pessoal logo nos dispusemos a criar nos Açores uma versão insular dos Colóquios Anuais da Lusofonia (que organizamos desde 2001/02 e que têm sido a única iniciativa, concreta e regular em Portugal nos últimos anos sobre esta temática lusófila). Pretendíamos debater os problemas típicos da identidade açoriana no contexto da Lusofonia e foi assim que em Maio de 2006 o 1º ENCONTRO AÇORIANO DA LUSOFONIA ocorreu na Ribeira Grande. O ponto de partida continua a ser o de trazer a S. Miguel académicos, estudiosos, escritores e outras pessoas para debater a identidade açoriana, a sua escrita, as suas lendas e tradições, sempre numa perspectiva de enriquecimento da LUSOFONIA, tal como a entendemos com todas as suas diversidades culturais que, com a nossa podem coabitar. Pretendemos manter anualmente este fluxo de personalidades para que, conjuntamente com os que vivem nestas nove ilhas, no continente e no resto do mundo, debatam a lusofonia nos quatro cantos do mundo. Deste intercâmbio de experiências entre residentes, expatriados e todos aqueles que dedicam a sua pesquisa e investigação à literatura, à linguística, à história dos Açores ou qualquer outro ramo de conhecimento cientifico, podemos aspirar a tornar mais conhecida a identidade lusófona açoriana.  Pretendemos contribuir para o levantamento de factores exógenos e endógenos que permeiam essa açorianidade lusófona e criativamente questionar a influência que os factores da insularidade e do isolamento tiveram na preservação do carácter açoriano. Debate-se também a problemática da língua portuguesa no mundo, em articulação com outras comunidades como agentes fundamentais de mudança. Iremos manter uma sessão dedicada à tradução que é também uma forma de divulgação cultural. Veja-se o recente exemplo de Saramago que já vendeu mais de um milhão de livros nos eua, e onde é difícil a penetração de obras de autores de outras línguas e culturas. Queremos lembrar o carácter independente dos Encontros, interessados em alargar parcerias e protocolos sem serem subsídio-dependentes, de forma a descentralizar a realização destes eventos e assegurando essa sua "independência" através do simbólico pagamento das inscrições dos participantes. Esta independência permite a participação de um leque alargado de oradores, sem temores nem medo de represálias dos patrocinadores institucionais sejam eles governos, universidades ou meros agentes económicos. Claro que contamos com a indispensável parceria da Direcção Regional das Comunidades estabelecendo as pontes com os Açorianos no Mundo e o imprescindível apoio da autarquia da Lagoa ao nível logístico. Este importante evento é totalmente concebido e levado a cabo por uma rede organizativa de voluntários. Simultaneamente, ao contrário de conferências de formato tradicional em que as pessoas chegam, debitam o seu trabalho, e partem com uma acta posteriormente elaborada cheia de boas intenções e conclusões que não se concretizam, estes Encontros inovaram  e   em  2002, introduziram o hábito (hoje normal) de entregarem CDs das Actas no início das sessões. Estes  Colóquios podem ser  (ou não)  marginais  em  relação  às  grandes  directrizes  aprovadas  nos  gabinetes  de Lisboa   ou   de   Brasília,   mas    têm   servido   para   inúmeras   pessoas   aplicarem na   prática   as experiências   doutros   colegas   à   realidade  do   seu   quotidiano   de   trabalho   com   resultados surpreendentes e bem acelerados. Visa-se aproveitar a experiência (profissional e pessoal) de cada um  dentro  da sua especialidade/ temas  em debate,  para  que  os  restantes possam depois partir para o terreno, para os seus locais de trabalho e de residência e utilizarem esses instrumentos que já deram resultados noutras comunidades. Criámos uma rede informal que permite um livre intercâmbio de experiências e vivências, prolongado ao longo destes anos. Em 2004  fizemos a campanha que  ajudou  a  salvar  o   Ciberdúvidas;  em  2005  presidimos  ao  lançamento  do   Observatório da Língua  Portuguesa  integrado  na  CPLP;  em  2006  lançámos  as  pedras  para  a criação da  Academia Galega da Língua Portuguesa . Em 2007 assistiu-se à atribuição  do  1º Prémio  Literário  da  Lusofonia  da  Câmara  Municipal  de  Bragança. Em 2008 iniciámos as parcerias com Universidades e Politécnicos rumo à   concretização   desse   grande   projecto   que   é   a   Diciopédia Contrastiva   ou   Dicionário Contrastivo da Língua Portuguesa dos Colóquios da Lusofonia e Dicionário de Açorianismos, formalizado no 2º Encontro Açoriano da Lusofonia em S. Miguel no ano de 2007.Por último, a componente lúdico-cultural destes Encontros, permite induzir uma confraternização cordial, aberta, franca e informal entre oradores e participantes presenciais, em que do convívio saem reforçados os elos entre as pessoas, a nível pessoal e profissional. Os participantes podem trocar impressões, falar e partilhar projectos, ideias e metodologias, fazer conhecer as suas vivências e pontos de vista, mesmo fora do ambiente mais formal das sessões. O desconhecimento, a nível do Continente e do (resto do) mundo, da nossa realidade insular combate-se levando a cabo iniciativas como esta para divulgar o nome dos Açores e a sua presença no seio de uma Lusofonia alargada. Pretendemos aproximar povos e culturas no seio da grande nação dos lusofalantes, independentemente da sua nacionalidade, naturalidade ou ponto de residência, todos unidos pela mesma língua. A meritória acção de várias entidades nos Açores nas últimas décadas tem proporcionado um estreitamento entre açorianos, expatriados e descendentes: uma espécie de círculo fechado e limitado. Nós pretendemos ir mais além, e levar os Açores ao mundo. Independentemente da sua Açorianidade, mas por via dela, pretendemos que mais lusofalantes e lusófilos fiquem a conhecer esta realidade insular com todas as suas peculiaridades, trazendo aos Açores outras vozes para que desse intercâmbio se possa difundir a verdadeira cultura açoriana no seio da lusofonia alargada que preconizámos. A terminar, resta-nos a esperança de ajudar a combater esta insularidade em termos culturais. Portugal é um país macrocéfalo. Em S. Miguel, existe essa mesma macrocefalia cultural em torno de Ponta Delgada e é muito raro que outras cidades ou vilas tenham acesso a debates desta natureza, daí termos decidido descentralizar o evento e trazer o Encontro para esta simpática urbe da Lagoa.

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